Não há resposta única. A decisão depende de três variáveis: faturamento anual, margem da operação e, sobretudo, o peso da folha de pagamento técnica. Abaixo de R$ 4,8 milhões por ano, a disputa costuma ser entre o Anexo IV do Simples Nacional e o Lucro Presumido. Acima desse teto, a comparação passa a ser entre Lucro Presumido e Lucro Real.
Simples Nacional — Anexo IV (a partir de 4,5%). Serviços de engenharia e de construção civil são tributados pelo Anexo IV, previsto na Lei Complementar nº 123/2006. A diferença crítica em relação aos demais anexos é que a Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) — os 20% de INSS patronal sobre a folha — não está embutida na alíquota do DAS. Ela é recolhida em guia separada, na mesma sistemática dos regimes de lucro. Essa separação tem uma consequência prática que muitos ignoram: a alíquota inicial de 4,5% do DAS não representa a carga total da empresa, porque a ela se soma o INSS patronal apurado por fora, cujo peso cresce conforme a folha técnica aumenta. Por isso, uma empresa de engenharia com muitos engenheiros e projetistas contratados não encontra, no Anexo IV, a mesma vantagem de folha que uma consultoria teria no Anexo III, onde a CPP está dentro da alíquota. Quanto maior a folha ante o faturamento, menor a distância para o Lucro Presumido.
O Fator R não entra nessa conta. Vale registrar de forma explícita, porque é fonte comum de erro: o Fator R só migra atividades entre os Anexos III e V. Como a engenharia está no Anexo IV, aumentar o pró-labore para elevar a folha não muda o anexo nem reduz a alíquota. A alavanca de decisão na engenharia é outra — é a comparação entre o Anexo IV e o Lucro Presumido.
Lucro Presumido — presunção de 32%. Para serviços de engenharia, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL presume 32% da receita. Somam-se PIS, COFINS e o ISS apurado em separado. Costuma ser competitivo para empresas de engenharia com margem alta e folha enxuta, ou quando o faturamento ultrapassa o teto do Simples. Como no Anexo IV a CPP já é paga à parte, a distância entre os dois regimes é menor do que muitos supõem, e só a simulação com os números reais resolve.
Cada rota produz um número diferente de carga efetiva. A Gonçalves faz a comparação com os dados reais da empresa antes de indicar o caminho — não há regime universalmente melhor, há o regime adequado a cada operação de engenharia. Esta comparação é informativa e não substitui a análise individual do caso.