Lucro Real vs. Lucro Presumido 2026: Qual o melhor regime para empresas de serviço em SP?

Empresário de empresa de serviço em SP decide entre Lucro Real vs Lucro Presumido para 2026 em tablet.

Chegamos àquele período crítico do ano. O momento em que a escolha de um único “check-box” na sua declaração de impostos pode significar centenas de milhares de reais a mais (ou a menos) no caixa da sua empresa em 2026.

Para PMEs do setor de serviços em São Paulo, a escolha entre Lucro Real e Lucro Presumido é, talvez, a decisão financeira mais importante do ano.

O problema? A maioria dos empresários escolhe “por inércia”. Eles caem no Lucro Presumido quando abrem a empresa e ficam lá por anos, sem nunca fazer as contas. Eles assumem que, por ser mais “simples”, é o mais barato. Em um mercado competitivo como o de SP, onde cada real de margem conta, “simples” quase nunca significa “lucrativo”.

A verdade é que não existe um “melhor” regime. Existe o regime ideal para a sua estrutura de custos e sua margem de lucro. E para empresas de serviço, a diferença entre os dois é um abismo.

Como especialistas em contabilidade consultiva em São Paulo, preparamos este guia para que você tome essa decisão com base em matemática, não em “achismo”.

Entendendo o Lucro Presumido: A Armadilha da Alíquota de 32%

O Lucro Presumido é o favorito das PMEs de serviço pela sua simplicidade. O governo, literalmente, “presume” o seu lucro e você paga impostos sobre essa presunção.

Como Funciona para Empresas de Serviço?

Para a maioria das atividades de serviço (consultorias, agências de publicidade, desenvolvedores de software, etc.), a regra é:

  • Presunção de Lucro: A Receita Federal presume que seu lucro é de 32% sobre o seu faturamento bruto.
  • Impostos (IRPJ e CSLL): Você paga o Imposto de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social (CSLL) sobre essa base de 32%.
  • Impostos (PIS e COFINS): Você paga 3,65% (somados) sobre o seu faturamento bruto total. Este é um regime cumulativo, ou seja, você não toma crédito sobre seus custos.

Os Prós e Contras para Serviços

  • PRÓ: É simples de apurar. Se sua margem de lucro real for muito alta (ex: 50% de lucro líquido), você se dá bem, pois paga imposto “apenas” sobre 32%.
  • CONTRA (A GRANDE ARMADILHA): Se sua margem de lucro real for baixa (ex: 15%), você se dá muito mal. Você é obrigado a pagar impostos sobre um lucro de 32% que você não teve. Além disso, você não recupera 1 centavo de PIS/COFINS sobre seus custos (aluguel, marketing, softwares, freelancers).

Entendendo o Lucro Real: Complexidade a Serviço do Lucro

O Lucro Real é exatamente o que o nome diz. Você paga impostos sobre o lucro que sua contabilidade realmente apurou.

Como Funciona para Empresas de Serviço?

  • Impostos (IRPJ e CSLL): Você paga os impostos sobre o seu “Lucro Contábil” (Receitas – Custos – Despesas). Se você teve prejuízo, você não paga nada e ainda pode usar esse prejuízo para abater lucros futuros.
  • Impostos (PIS e COFINS): A alíquota sobe para 9,25% (somados). Parece assustador, mas o regime é não-cumulativo.

O Poder da Não-Cumulatividade (Créditos)

Ser “não-cumulativo” significa que você ganha créditos de 9,25% sobre uma vasta gama de custos e despesas essenciais para sua operação de serviço:

  • Aluguel do seu escritório em SP.
  • Custos com marketing e publicidade (ex: Google Ads, Meta Ads).
  • Licenças de softwares (CRM, ERPs, ferramentas de design).
  • Despesas com energia elétrica.
  • Subcontratação de outros serviços (freelancers PJ, por exemplo).

O Ponto de Virada: Onde o Lucro Presumido Deixa de Valer a Pena para Serviços?

Aqui está o cálculo que sua contabilidade deveria fazer por você todos os anos.

Para empresas de serviço, o ponto de virada (break-even) quase sempre gira em torno da sua margem de lucro real e da sua estrutura de custos.

Regra de Ouro (Simplificada): Se a sua margem de lucro líquido (o que sobra no bolso) é consistentemente menor que 32%, o Lucro Presumido é quase certamente um mau negócio.

Simulação: A Agência de TI vs. O Consultor Solo

Vamos imaginar duas PMEs de serviço em São Paulo, ambas faturando R$ 3 Milhões por ano (R$ 250k/mês).

  • Empresa A: “Consultor Solo” (Margem Alta)
    • Custos: Tem poucos custos. Um notebook, um software e seu próprio pró-labore.
    • Margem de Lucro Real: 60%.
    • Veredito: O Lucro Presumido é excelente. Ele paga imposto sobre 32% de lucro, mesmo tendo lucrado 60%.
  • Empresa B: “Agência de TI” (Margem Baixa)
    • Custos: Aluguel de escritório na Vila Olímpia (R$ 30k/mês), 10 funcionários (folha alta), R$ 50k/mês em licenças de software e servidores, R$ 20k/mês em marketing.
    • Margem de Lucro Real: 10%.
    • Veredito: O Lucro Presumido é um desastre financeiro. A empresa está pagando imposto sobre 32% (R$ 960k de lucro presumido), mas seu lucro real foi de apenas 10% (R$ 300k). Ela está pagando imposto sobre um lucro que não existe.
    • A Solução: No Lucro Real, ela pagaria IRPJ/CSLL sobre seus R$ 300k de lucro real e ainda geraria créditos de PIS/COFINS sobre o aluguel, softwares e marketing, reduzindo drasticamente a carga efetiva de 9,25%.

O Limite de Faturamento de R$ 78 Milhões para 2026

Claro, existe uma regra que obriga a sua empresa a ir para o Lucro Real. Como explicamos em detalhes no nosso guia sobre o limite de faturamento do Lucro Presumido 2026, o teto é de R$ 78 milhões faturados no ano-calendário anterior (ou seja, em 2025).

Se sua PME de serviço faturou mais que R$ 78 milhões em 2025, você não tem escolha: 2026 será no Lucro Real.

O ponto estratégico é: você não deve esperar ser obrigado a mudar. Se sua margem for baixa (como a Empresa B), você deve optar pelo Lucro Real agora para parar de rasgar dinheiro.

E a Reforma Tributária 2026? Ela muda essa escolha?

Este é um ponto crucial de planejamento para 2026. A Reforma Tributária (IBS/CBS) começa seu período de transição.

Em 2026, a mudança ainda é pequena (alíquotas de “teste”), mas em 2027 o PIS/COFINS serão substituídos pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que será 100% não-cumulativa (como o Lucro Real).

O que isso significa? O mundo inteiro está caminhando para o modelo do Lucro Real (não-cumulativo). Empresas que já estão no Lucro Presumido e não têm organização financeira e contábil para gerenciar créditos estarão em pânico em 2027.

Escolher o Lucro Real em 2026 (se for vantajoso) não é apenas uma economia fiscal, é um preparo estratégico para a nova realidade tributária do Brasil.

Conclusão: A Resposta está no Diagnóstico (Não na Inércia)

Qual o melhor regime para sua empresa de serviço em SP em 2026? A resposta é: depende.

  • Depende da sua margem de lucro real.
  • Depende da sua estrutura de custos (aluguel, folha, marketing, softwares).
  • Depende de quão organizada é a sua gestão financeira.

Manter-se no Lucro Presumido por inércia é o erro mais comum e mais caro que gestores de PMEs em São Paulo cometem.

A única forma de saber a resposta é através de um Estudo de Planejamento Tributário. É um diagnóstico onde colocamos seu faturamento e todos os seus custos em uma simulação, calculando seu imposto exato no Cenário A (Presumido) e no Cenário B (Real).

Isso não é um “serviâo extra”; é a base da análise de uma contabilidade consultiva. Tomar essa decisão com base em números é o primeiro passo para um 2026 mais lucrativo.

FAQ: Perguntas Frequentes sobre Regimes Tributários para Serviços

Uma empresa de serviço em SP pode ser do Simples Nacional em 2026?

R: Sim, desde que fature até R$ 4,8 milhões/ano. No entanto, muitas atividades de serviço (como consultoria, TI, publicidade) caem no Anexo V, que só é vantajoso se a folha de pagamento (“Fator R”) for alta (acima de 28% do faturamento). Para muitas PMEs, o Lucro Presumido ou Real acaba sendo mais barato que o Simples.

Quais custos de serviço geram créditos de PIS/COFINS no Lucro Real?

R: Os principais são: aluguéis de prédios e máquinas, energia elétrica, licenças de software, custos com marketing e publicidade (se contratados de PJs), despesas com transporte e logística, e serviços subcontratados de outras PJs. Folha de pagamento (CLT) não gera crédito.

Se minha empresa de serviço tiver prejuízo no Lucro Real, eu pago imposto?

R: Você não pagará IRPJ e CSLL, pois eles incidem sobre o lucro. E você pode usar esse “prejuízo fiscal” para abater lucros futuros, pagando menos impostos quando a empresa se recuperar. No Lucro Presimido, você paga imposto sobre os 32% presumidos, mesmo que tenha tido prejuízo.

Errei na escolha em janeiro. Posso mudar de regime no meio de 2026?

R: Não. A opção pelo regime (Lucro Real ou Presumido) é feita em janeiro, com o pagamento do primeiro imposto, e é irretratável para o ano-calendário inteiro. É por isso que o planejamento tributário no final do ano anterior é tão crítico e não pode ser feito com pressa.

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